Na véspera da votação do Impeachment sem crime da Presidente
Dilma, portanto, na véspera do dia decisivo para a tentativa da aplicação do
golpe contra o sistema político brasileiro, os movimentos sociais e partidos políticos
presentes na luta popular realizam a Plenária Estadual da Frente Brasil Popular
Mato Grosso para defender a democracia e organizar a luta política pelos
diretos do povo trabalhador, deliberando pela aprovação desta carta política.
1. Reafirmamos nossa convicção de que está em curso um processo de
golpe parlamentar para retirar a força a Presidenta Dilma que foi eleita
democraticamente pela maioria do povo brasileiro. Essa tentativa de golpe está
sendo organizada, liderada e conduzida pelas forças políticas de direita e
anti-povo: entre as quais se destacam os partidos políticos de oposição (PSDB,
DEM, PPS, SD…) que não aceitaram a derrota de 2014, setores de partidos que até
poucos dias eram base do governo (PMDB, PP, PSD…), grupos da mídia monopolizada
(Globo, Revistas Veja, Isto É, Folha de São Paulo, Estadão, etc…), setores
partidarizados do Ministério Público, do
Judiciário, da Policia Federal, setores do empresariado (FIESP, ruralistas,
banqueiros, etc..) e, movimentos das classes médias e altas (MBL, Vem Pra Rua,
etc…), todos eles apoiadores e apoiados pelos interesses estrangeiros
(particularmente dos EUA).
2. Esses grupos da elite golpista vêm tentando enganar o povo
brasileiro dizendo que estão fazendo o combate à corrupção e que a Dilma, o
Lula e o PT devem ser punidos pelos seus erros. Na verdade eles são os
verdadeiros corruptos e o que os incomoda são os acertos dos governos do PT.
Eles não toleram mais ver os pobres tendo oportunidades de melhorar de vida.
Eles não suportam mais ouvir falar em
combate à fome, em moradias populares, em cotas raciais, em direitos
trabalhistas, em direitos humanos, em valorização do salário mínimo, em
igualdade de gênero, em apoio à agricultura familiar, em mobilidade social, em
o petróleo é nosso. Na verdade eles querem eliminar os movimentos sociais, os
partidos de esquerda e impor ma política de retrocesso em relação a todas as
melhorias conquistadas nos últimos anos. É para que querem derrubar o governo
Dilma.
3. As forças políticas dominantes do nosso Estado, tendo a frente o
Governador Pedro Taques (PSDB), os Senadores (Blairo e Medeiros) e Deputados
golpistas (Saccheti e Garcia – PSB, Leitão – PSDB, Tampinha – PSD, Galli – PSC)
entraram de cabeça no golpe. Articulados com o poder econômico do estado
(FAMATO, FIEMT, APROSOJA, etc..) fazem parte ativa do processo político de
exclusão do povo. Fazem um discurso de ética, eficiência e transparência, mas
na verdade querem o aparelho de estado privativo para seus interesses.
4. Neste momento em que inúmeros setores da sociedade brasileira se
organizam, mobilizam e lutam para resistir ao golpe e defender a democracia,
nós afirmamos que nossa tarefa política mais importante é trabalhar para que a
maioria do povo de Mato Grosso, principalmente os trabalhadores, tenham a mesma
clareza política que nós temos desse processo. Somente nossa luta militante
pode impedir que recaíam sobre nós os retrocessos sociais, políticos e econômicos
e, abrirá caminhos para avançarmos ainda mais em direitos, igualdades e
oportunidades. Por isso reafirmamos o caráter estratégico da Frente Brasil
Popular como instrumento de aglutinação e unidade de ação de todas as forças políticas
que tem compromisso com a luta do povo trabalhador.
5. O fortalecimento da nossa organização independe do resultado da
votação que acontecerá amanhã na Camara dos Deputados. Se o golpe sair
derrotado na votação da Camara dos Deputados devemos comemorar a vitória, que
será do povo brasileiro, fruto da nossa mobilização. Será sem dúvida alguma uma
etapa fundamental na defesa da democracia, mas nossa esperada vitória amanhã
não significará o fim da luta política instalada na sociedade. Ela exigirá
nossa mobilização permanente para pressionar o Governo e o Congresso pela
retomada do processo desenvolvimento com inclusão social, de modo a avançar nas
conquistas sociais para a maioria da população. Caso a democracia saia
derrotada na votação de amanhã devemos intensificar o nossa mobilização para as
próximas etapas da luta de resistência
contra o golpe, ou ainda a luta contra eventual governo ilegítimo e antipopular
do consórcio golpista.
6. Assumimos o compromisso de ampliar e expandir a organização da FBP
para todas as regiões do estado de Mato Grosso. Ampliar sua base de
constituição em termos de organizações integrantes, de setores representados e
de capilaridade no seio dos movimentos progressistas e de esquerda mato-grossense.
Expandir sua presença e organicidade em todos os lugares em que estiverem
presentes os lutadores do povo. Nosso desafio é fazer da Frente Brasil Popular
Mato Grosso uma referencia fundamental para a articulação das nossas lutas pelo
projeto democrático popular, pela reforma política e nas disputas por
representações populares os espaços institucionais de representação do povo.
Para isso é necessário, à partir da coordenação estadual da Frente Brasil
Popular, avançar na constituição de coordenações regionais e/ou municipais. Neste sentido,
assumimos um calendário de plenárias da FBP nas diversas regiões do Estado.
7. Não vai ter golpe, vai ter luta! Viva o povo brasileiro!!!
Cuiabá, 16 de abril de 2016
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